Red Flags em Vagas de Programação: Guia Para Devs e Recrutadores
Os 5 sinais de alerta que afetam tanto quem busca quanto quem oferece vagas tech. Para desenvolvedores aplicarem melhor. Para recrutadores contratarem melhor.
Você vê "Senior React Developer - Remoto - Salário Competitivo". Clica. Aplica. Espera.
Duas semanas depois descobre que "remoto" significa ir ao escritório três vezes por semana. "Salário competitivo" é R$ 4.000, metade do mercado. E "senior" exige dez anos em um framework que existe há três.
Tempo perdido. Expectativa frustrada. E você volta pro zero.
Red flags em vagas não são culpa de recrutadores mal-intencionados. São sintomas de processos desalinhados, falta de comunicação entre tech e RH, ou expectativas irrealistas do mercado. E afetam os dois lados: desenvolvedores desperdiçam tempo em processos sem futuro, recrutadores veem candidatos qualificados ignorarem a vaga.
1. Falta de Transparência Salarial
O primeiro e mais comum red flag é quando o salário não aparece. "A combinar" virou código pra "vamos te fazer investir cinco horas de entrevista antes de revelar que não compensa". Ou quando aparece uma faixa tão absurda — "R$ 2.000 a R$ 25.000" — que não informa nada útil.
Para desenvolvedores, isso significa processo cego. Você não sabe se vale a pena seguir em frente. Para recrutadores, significa filtrar errado. Candidatos que procuram 15 mil aplicam pra vaga de 5 mil porque não sabiam. Aí você perde tempo entrevistando quem vai recusar a oferta.
Empresas escondem salário achando que isso atrai mais gente. O que atrai é candidato errado. Desenvolvedor experiente que conhece seu valor de mercado ignora vaga sem salário. Quem aplica é quem está disposto a "apostar", e aposta raramente compensa pros dois lados.
Transparência salarial não é luxo. É filtro eficiente. Mostra uma faixa — mesmo que ampla — com critérios claros: júnior na faixa baixa, sênior na alta, pleno no meio. Candidatos entendem variação justificada. O que não entendem é mistério.
2. Desalinhamento Entre Cargo e Descrição
"Senior React Developer" que na descrição pede pra dar suporte técnico via chat. "Tech Lead" que é vendedor com comissão. Título prometendo uma coisa, realidade entregando outra completamente diferente.
Isso geralmente acontece quando RH cria a vaga sem input técnico, ou quando a empresa quer atrair cliques usando cargo inflado. O resultado é candidato frustrado que aplicou pra programar e descobriu que o trabalho real é outra coisa. E recrutador desperdiçando tempo com pipeline cheio de gente errada.
Para recrutadores: sempre valide o job description com alguém técnico do time. Pergunte se o título reflete o trabalho real do dia a dia. Se as responsabilidades batem com o nível — júnior fazendo trabalho sênior é red flag pra ambos os lados. E nunca use cargo tech pra vaga que não é tech. Developer não é suporte. Tech Lead não é vendedor.
Para desenvolvedores: leia a descrição completa, não só o título. Se as responsabilidades não mencionam código, arquitetura, ou tecnologia de verdade — só soft skills genéricos tipo "dinâmico" e "proativo" — provavelmente não é vaga de dev.
3. Requisitos Impossíveis ou Absurdos
"Júnior com 10 anos de React". React existe desde 2013. A matemática não fecha. "5 anos de FastAPI". FastAPI lançou em 2018. De novo, impossível. Ou a clássica lista gigante: 15 tecnologias obrigatórias — React, Vue, Angular, Python, Java, Go, Rust, Docker, Kubernetes, AWS, Azure, GCP... a lista continua.
Requisitos impossíveis revelam que quem criou a vaga não entende de tech ou tem expectativas irrealistas. Querem unicórnio pagando salário de estagiário. Para desenvolvedores, é sinal claro: ignore. Para recrutadores, é autossabotagem. Ninguém atende esses requisitos porque eles não existem no mercado real.
A solução: separe requisitos em dois grupos. Obrigatórios — três a cinco tecnologias máximo, relacionadas entre si. Desejáveis — o resto, que seria legal mas não é dealbreaker. E valide com tech lead: essa vaga existe no mercado? Se a resposta for "seria difícil achar", os requisitos estão errados.
4. "Remoto" Que Não É Remoto
Para quem busca trabalho remoto, esse é o red flag mais frustrante. Vaga anuncia "remoto" no título, mas na descrição tem "presença no escritório três vezes por semana". Ou "remoto durante adaptação" — tradução: presencial depois de dois meses. Ou "remoto para SP/RJ" — que não é remoto, é restrição geográfica.
Remoto virou isca. Empresas sabem que atrai candidatos, então esticam a definição até não significar mais nada. Híbrido disfarçado de remoto. Presencial com "flexibilidade ocasional" vendido como remoto.
Para recrutadores: seja específico. 100% remoto, híbrido com dois dias presenciais, ou presencial. Não use "remoto mas...". Se tem restrição geográfica, explique o motivo real — fuso horário, legislação trabalhista. Candidatos entendem razões técnicas. O que não entendem é propaganda enganosa.
Para desenvolvedores: pergunte direto na primeira conversa. "100% remoto de qualquer lugar do Brasil?" Se a resposta começa com "bem...", não é remoto.
5. Falta de Informação Básica
Vaga sem nome da empresa. Logo genérico. Sem link de aplicação direto — "mande currículo pra vagas@". Ou pior: vaga publicada há seis meses mas nunca removida, republicada toda semana como se fosse nova.
Isso acontece por vários motivos. Empresas coletando currículo pra "banco de talentos" sem vaga real. Vaga já preenchida mas ninguém lembra de tirar do ar. Agregadores raspando vagas velhas e nunca atualizando. Startup querendo parecer que está crescendo mesmo sem contratação real.
Transparência gera confiança. Nome da empresa — exceto quando confidencialidade é justificada. Link direto de aplicação via ATS ou LinkedIn. E mantenha atualizado: vaga preenchida sai do ar. Simples assim.
Checklist Rápido: Vaga de Qualidade vs Red Flag
✓ Sinais Positivos
Salário claro ou faixa específica. Cargo alinha com descrição. Requisitos realistas (3-5 techs obrigatórias). Modelo de trabalho explícito — 100% remoto, híbrido, ou presencial. Empresa identificável. Link direto de aplicação. Publicada recentemente.
✗ Red Flags
"A combinar" ou faixa absurda. Título não bate com descrição. Requisitos impossíveis (10+ techs, anos > idade da tecnologia). "Remoto mas..." (híbrido disfarçado). Sem info da empresa. Sem link, manda email genérico. Vaga muito antiga (3+ meses).
Regra prática: 2+ red flags = pule essa vaga
Transparência Beneficia Todo Mundo
Red flags não são sobre culpar um lado ou outro. São sobre processos que precisam melhorar. Para desenvolvedores, saber identificar economiza tempo e frustração. Aplicar só onde faz sentido. Para recrutadores, evitar red flags atrai talento melhor. Transparência não é luxo, é estratégia competitiva.
Empresas sérias mostram salário, requisitos reais, informações claras. Desenvolvedores sérios aplicam pra vagas alinhadas com experiência e expectativa. Todo mundo economiza tempo. Todo mundo contrata ou é contratado melhor.
E se você quiser pular a parte de identificar red flags manualmente, o VagaNerd já filtra automaticamente os cinco problemas deste artigo. Salário sempre visível — estimado quando não informado. Cargos validados — IA detecta desalinhamento título/descrição. Requisitos realistas — matemática impossível é filtrada. 100% remoto ou Brasil — zero híbrido disfarçado. Máximo 30 dias — vaga fantasma não entra. Link direto pra aplicar — sem intermediário.
Menos vagas. Mais qualidade. Zero perda de tempo.
Para recrutadores: quer criar vagas que atraem talento de verdade? Confira nosso guia completo para empresas.